A ex-deputada Arlete Caramês, mãe de Guilherme Tiburtius desaparecido em 1991, faleceu nesta terça-feira (24) aos 82 anos, após décadas de luta por desaparecidos.
Morre Arlete Caramês, símbolo na busca por desaparecidos no Paraná
Faleceu nesta terça-feira (24), aos 82 anos, Arlete Caramês, ex-deputada estadual e ex-vereadora, que se tornou um ícone na luta por pessoas desaparecidas no Paraná. Sua dedicação à causa teve início após o sumiço de seu filho, Guilherme Caramês Tiburtius, em julho de 1991, aos 8 anos de idade, enquanto brincava em Curitiba.
Contexto
Arlete Caramês dedicou grande parte de sua vida à incansável busca por seu filho, Guilherme, cujo desaparecimento em 1991 marcou profundamente a sociedade paranaense. O caso de Guilherme, que sumiu enquanto brincava, nunca foi solucionado, deixando Arlete em uma jornada de mais de três décadas em busca de respostas. Essa experiência pessoal a impulsionou a se tornar uma voz ativa e um símbolo de esperança para outras famílias que enfrentavam a mesma dor.
Sua atuação não se limitou à esfera pessoal; Arlete Caramês transformou sua tragédia em um propósito público. Ela utilizou sua plataforma política, como ex-deputada estadual e ex-vereadora, para defender a criação de políticas e mecanismos que auxiliassem na localização de pessoas desaparecidas e oferecessem suporte às famílias afetadas. Sua luta ajudou a dar visibilidade a uma questão muitas vezes negligenciada, tornando-a uma referência no tema.
A morte de Arlete Caramês em março de 2026, aos 82 anos, encerra um capítulo de resiliência e ativismo, mas seu legado na defesa dos direitos das famílias de desaparecidos permanece. Ela é lembrada por sua força e por ter transformado a pior dor que uma mãe pode sentir em um movimento de solidariedade e busca por justiça.
Um Legado de Luta e Esperança
A trajetória de Arlete Caramês foi marcada por uma determinação inabalável. Mesmo sem nunca ter descoberto o paradeiro de Guilherme, ela se recusou a desistir, mantendo viva a esperança e a necessidade de que a sociedade e as autoridades dessem a devida atenção aos casos de desaparecimento. Sua frase "Ter um filho desaparecido é ter a vida suspensa" resumia a angústia de milhares de pais e mães.
Além de sua atuação política, Arlete Caramês foi uma figura central em diversas iniciativas e organizações dedicadas à causa. Ela participava ativamente de grupos de apoio e campanhas de conscientização, sempre buscando novas formas de pressionar por investigações mais eficazes e pela implementação de bancos de dados e sistemas de alerta que pudessem agilizar a localização de pessoas.
O velório de Arlete Caramês, que acontece nesta quarta-feira (25) em Curitiba, é um momento de despedida, mas também de reconhecimento por sua contribuição inestimável. Familiares, amigos e membros da comunidade que ela tanto ajudou prestam suas homenagens, lembrando-a como uma mulher que, apesar da dor pessoal, conseguiu inspirar e mobilizar muitos em prol de uma causa maior.